sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Tradição de 358 anos


Campos comemora hoje o dia de seu padroeiro. A cidade está em festa no feriado do Santíssimo Salvador – tradicional comemoração de 358 anos – com programação esportiva, religiosa e cultural. Para louvar a Jesus Cristo na noite de hoje a cantora Celina Borges sobe ao palco principal às 21h. A festa, este ano com 10 dias de duração, se encerra domingo.

Mas como será que se iniciou está tradição? De acordo com os pesquisadores do Instituto Historiar, Hélvio Cordeiro, Leandro Lima Cordeiro e Enockes Cavalar, tudo começou há muitos e muitos anos (1649) com uma humilde capelinha de palha (hoje Igreja São Francisco), que mais tarde foi reconstruída por um general de nome Salvador Correa.



Segunda capela - Por volta de 1745, foi feita uma segunda capela naquela que hoje chamamos Praça São Salvador. A Catedral Diocesana de Campos foi erguida com a mesma estrutura da antiga Igreja da Matriz, sendo ampliadas somente as suas torres, para dar o tom de Catedral e a parte de sua cúpula. Consta nos arquivos da Igreja Matriz que ela foi criada em quatro de dezembro de 1922. Foi quando passou à condição de Catedral, sendo que, em 1965, recebeu por decisão do papa Paulo VI o título de Catedral Basílica Menor do Santíssimo Salvador, o próprio Jesus Cristo.



Até hoje há quem pense que São Salvador seja um dos santos da igreja católica, e não, o próprio Jesus Cristo. Essa história está ligada à questão da colonização e remonta às capitanias. Na época, era costume que se erguesse uma capela ou igreja, onde o santo representasse o nome do principal governante.

O próprio Cristo – “Como aqui foi o General Salvador Correia de Sá e Benevides, e como não existia um santo com esse nome, foi escolhido o próprio Cristo. Daí o nome São Salvador ou Santíssimo Salvador. Desta forma, o patrono da religião na Cidade de Campos dos Goytacazes ficou sendo o próprio Cristo, que, para muitos campistas, passou a fazer parte do calendário como se fosse mais um santo”, explicou Leandro.

As primeiras festas começavam às 4h na Igreja da Matriz (posteriormente se tornaria Catedral) com uma missa religiosa chamada Te Deum. No mesmo dia eram realizados batizados e outras cerimônias religiosas programadas para o dia do padroeiro da cidade, que era enfeitada com coretos e arcos todos iluminados com luz elétrica, por possantes lâmpadas de arco voltaico. Também era realizada missa campal na Praça da República, e a procissão que saia às 15h seguindo por várias ruas do centro da cidade com o andor do padroeiro. Na parte esportiva havia as tradicionais regatas.

Programação da festa continua preservando prova ciclística

Bandas musicais como: Lira de Apolo, Guarany e Operários Campistas, ficavam responsáveis pelas apresentações para a população. Atualmente a programação ainda preserva a tradição, com a corrida ciclística, a regata, apresentação de bandas musicais, a procissão do Santíssimo Salvador, etc.

A prova ciclística foi criada por Gerardo Maria Ferraiouli (Patesko), tendo sido organizada pela primeira vez em seis de agosto de 1945. Até 1976, a prova tinha a saída de frente ao Banco do Brasil e chegada a antiga sede da Prefeitura de Campos (onde atualmente o prédio está sendo restaurado para abrigar o Museu de Campos).

Em 1977 a prova passou a realizar-se na Avenida Alberto Torres, onde até hoje é realizada. Patesko faleceu em setembro de 2007, pouco antes de completar 92 anos de idade e, foi homenageado pela Ciclovia (que corta a Avenida 28 de Março). A história de Patesko se confunde com as regatas no Rio Paraíba do Sul, os torneios de futebol, tênis de mesa e, claro, de ciclismo. “Não poderíamos deixar de lembrar, também, dos doces tradicionais, como chuvisco e goiabada, vendidos no canteiro Diocesano e da feira de artesanato que há tantos anos vem fazendo parte da Festa do SS. Salvador”, concluiu Leandro Lima.

De Vivianne Chagas com Instituto Historiar
Matéria publicada no Caderno DMAIS DE
O DIÁRIO siga o link